Nas tarefas de cada um...

02/11/2023 14:00

        O Espírito Emmanuel ditou a Chico Xavier a mensagem intitulada Em nossas tarefas, que exprime o comportamento de muita gente. Ele aconselha-nos a não ambicionar altas conquistas sem o merecimento do esforço próprio.

        Muitas pessoas sobem na vida, mas nos ombros alheios. Querem os altos postos: coordenadores, diretores, chefes... Adoram mandar e quase nada fazem por iniciativa própria. Para elas, quanto mais criaturas humanas estiverem a seu serviço, mais facilmente conquistarão seus objetivos de riqueza e de poder.

        Se ingressam em alguma instituição religiosa, em pouco tempo já desejam ser coroadas como santas. Se convidadas a exercerem atividades espirituais, desejam logo realizações que demandam esforço em longo tempo. Então, lembra-nos o ex-guia espiritual de Chico Xavier, Emmanuel, alguns fenômenos da natureza que nos servem à reflexão:

  1. a passagem de frágil arbusto antes de tornar-se árvore frutífera;
  2. a formação da catarata desde os fios d’água de seu nascedouro;
  3. os materiais utilizados na edificação da casa: picareta, tijolos, pedra...

 

        Em vista do exposto, conclui Emmanuel que precisamos de humildade e perseverança, para que o projeto de realização futura do  nosso ideal seja bem sucedido. Por isso, conclui pela sabedoria das palavras de Paulo, quando este recomenda aos romanos não ambicionar coisas altas, porém agir, nas pequeninas, com humildade, segundo lemos em Romanos, 12:16.

        Como demonstração de que a subida para o alto é árdua, mas luminosa para os que escalam a montanha da abnegação e do devotamento, sem esperar recompensas de nenhuma espécie no mundo físico, concluo com este soneto de Cruz e Sousa: Se queres

 

Se queres a ventura doce, etérea,

De outro mundo de luz, indefinido,

Serás, na Terra o filho incompreendido

Do Tormento casado com a Miséria.

 

Viverás na mansão triste, funérea,

Do Soluço, do Pranto, do Gemido;

Dos prazeres mundanos esquecido,

Outro Job pelas chagas da matéria.

 

Serás em toda a Terra o feio aborto

Das amarguras e do desconforto,

Encarcerado nas sinistras grades;

 

Mas um dia abrirás as portas de ouro

E encontrarás o fúlgido tesouro

De benditas e eternas claridades.

 

Sousa, Cruz. In: Parnaso de Além-Túmulo. Psicografado por Chico Xavier.

 

 

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Sobre o Autor

Jorge Leite de Oliveira é

Consultor Legislativo aposentado da CLDF. Formação acadêmica: Bacharel em Direito (Advogado, OAB/DF 16922); grad. em Letras (UniCEUB); pós-grad. em Língua Portuguesa(CESAPE/DF) e em Literatura Brasileira (UnB); Mestre em Literatura e Doutor em Literatura pela UnB. Professor de Língua Portuguesa, Redação, Orientação de Monografia, Literatura e Pesquisas, no UniCEUB, de 1º set. 1988 a 1º jul. 2010. Palestrante, escritor, revisor e articulista espírita. Autor do Blog: <jojorgeleite.blogspot.com/>.

Autor dos livros:

1. Texto acadêmico: técnicas de redação e de pesquisa científica. 10. ed. 1. reimp. Petrópolis, RJ: Vozes, 2019.

2. Guia prático de leitura e escrita. 3. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2015.

3. Chamados de Assis: espaços fantásticos do Rio mutante na obra machadiana. Curitiba, PR, 2018.

4. Da época de estudante de Letras: edição esgotada: Mirante: poesias. Brasília: Ed. do autor, 1984.

5. Texto técnico: guia de pesquisa e de redação. 3. ed. rev., ampl. e melhorada. Brasília: abcBSB, 2004 (também esgotada).

 

Contato:

jojorgeleite@gmail.com